A educação tributária e financeira como aliadas da longevidade

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Educação Financeira

A educação tributária e financeira como aliadas da longevidade

É muito provável que você já tenha escutado alguém dizendo por aí que os brasileiros possuem baixa educação financeira, que são indisciplinados e que, dificilmente se preparam para o futuro.

Pois é! isso não é fake!

De acordo com a sétima edição do Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais – AMBIMA, em 2023, apenas 37% dos brasileiros investiram em produtos financeiros, sendo 51% composto por homens. A situação é ainda mais complicada para as mulheres, pois sabemos que elas são as que menos investem ou se envolvem com assuntos financeiras, devido a questões culturais históricas.

A pesquisa foi realizada de norte a sul do Brasil e entrevistou 5.814 pessoas entre os dias 6 e 24 de novembro de 2023.

O que chama a atenção na pesquisa é a informação de que mais da metade da população brasileira tem nível alto de estresse quando o assunto são as suas finanças. As pessoas têm grande medo de perder a renda e não conseguir honrar com o pagamento das despesas pessoais e familiares.

A pesquisa inovou e trouxe informações sobre as apostas online (bets) e descobriu que 14% dos entrevistados usam algum aplicativo para ter acesso aos jogos. Entre aqueles que apostam, 40% acreditam que essa é uma forma de ganhar dinheiro rápido em momentos de dificuldade financeira e cerca de 22%, os mais iludidos, acreditam que apostar é um tipo de investimento.

Desde quando, apostar na sorte, de modo bem aleatório é um investimento. Só por este tipo de resposta, compreendemos que o país enfrenta um sério problema.

Existem várias pesquisas no país que analisam o comportamento financeiro dos brasileiros, mas só com essa pesquisa da AMBIMA já temos uma ideia de como a situação está ficando crítica.

Mas podemos ir além e analisar a pesquisa realizada em 2024 pela Federação Brasileira de Bancos – FEBRABAN.

Além de realizar pesquisas, a Federação criou e disponibiliza gratuitamente na internet, em sua página oficial, o Índice de Saúde Financeira do brasileiro (I-SFB). Através dele é possível descobrir o índice de saúde financeira dos brasileiros de forma individual e coletiva e, a partir dele, tomar atitudes em prol da organização e melhora financeira, podendo ser usado também para traçar estratégias educacionais.

O índice macro levou em consideração a pesquisa nacional com a entrevista de 5.000 pessoas acima de 18 anos, entre as datas 15/05 a 29/07/2024, cobrindo diversos estratos sociais.

Em resumo, a pesquisa demonstrou que a saúde financeira do brasileiro melhorou em 2024, quando comparada com os anos anteriores analisados, mas ainda há muito espaço para a educação, pois 67,2% dos entrevistados ainda não têm segurança sobre o futuro financeiro.

Toda essa insegurança pode ser reflexo da situação econômica do Brasil, da alta carga tributária, da inflação, dos baixos salários e da desigualdade social que persiste.

Por outro lado, as pesquisas apontam que o envelhecimento dos brasileiros está ocorrendo de forma rápida e que, se as pessoas não se programarem para estes anos a mais, poderão ter dificuldades para se manterem nos anos finais da vida.

Sem reservas financeiras suficientes e contando apenas com a aposentadoria pública do INSS, teme-se que muitos idosos tenham que se socorrer com familiares ou terceiros. Isso pode afetar ainda mais as mulheres, tendo em vista que, elas vivem cerca de 7 anos a mais que os homens e pouquíssimas se preparam para a velhice.

De acordo com o Boletim Estatístico da Previdência Social de setembro de 2024 (Vol. 29 Nº 09), 49,21% dos benefícios urbanos concedidos pelo INSS foram no valor de um salário-mínimo, ou seja, quase metade de todas as concessões ficaram no limite mínimo previsto no art. 201, § 2º da Constituição Federal de 1998.

Considerando o endurecimento nas regras de acesso às aposentadorias e o baixo valor delas, não temos, como sociedade, outra alternativa a não ser intensificar a educação tributária, previdenciária e financeira da população, principalmente daqueles que estão envelhecendo e que ainda possuem mais tempo hábil para ajustar a rota.

Imagem de rosto da Raquel Carneiro

Autor

Raquel Carneiro

Economista especialista em planejamento e tributação previdenciária (CORECON/SC Nº 3884 e COFECON/CNPEF Nº 749)